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Bio-Reserva da Morena

A Bio-Reserva da Morena é uma área florestal com 15 hectares (8 dos quais já propriedade da Milvoz), localizada na freguesia de Cernache, a poucos quilómetros da cidade de Coimbra. Situa-se numa zona calcária, de carácter mediterrânico, que em muito se assemelha à paisagem típica das designadas ‘Terras de Sicó’, ainda que esteja fora do território abrangido pela respetiva Zona Especial de Conservação (ZEC). Felizmente, porém, foi possível à Milvoz adquirir um conjunto alargado de terrenos por um valor simbólico, com vista à sua tão necessária conservação, indo de encontro à principal missão da associação.

Trata-se essencialmente de uma encosta exposta a sul, correspondendo a uma faixa com cerca de 1 quilómetro de extensão de um vale, com uma largura que, nalgumas zonas, atinge os 250 metros.

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O seu limite a sul é definido por um curso de água temporário, apenas ativo em épocas de pluviosidade intensa e consistente, como é característico neste tipo de paisagens calcárias, em que a água se infiltra rapidamente e corre em profundidade, surgindo à superfície mais a jusante, neste caso, na exsurgência da Feteira.

Esta área, especificamente, encontra-se em muito bom estado de conservação, não obstante as diversas e sucessivas agressões a que o território envolvente tem sido sujeito num passado recente, pelo que constitui um reduto de biodiversidade muito relevante, servindo de refúgio a inúmeras espécies da fauna, algumas das quais deslocadas após a perda do seu habitat em territórios envolventes.

Do ponto de vista faunístico, esta Bio-Reserva acolhe todas as espécies de grande porte emblemáticas da região: para além do javali e do corço, bem difundidos nos dias que correm, encontramos a raposa, o texugo, a gineta, a fuinha, o saca-rabos, o esquilo-vermelho e o coelho-bravo. Também a avifauna encontra neste local excelentes condições para se estabelecer, sendo de assinalar a ocorrência de aves de rapina como a ógea, o açor ou o bufo-real, bem como de aves florestais como o peto-verde, o pica-pau-malhado-grande, o gaio ou o estorninho.

É de destacar a importância desta área como dormitório para bandos de centenas de tordos invernantes, nomeadamente para o tordo-ruivo.

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Também a comunidade de chapins é diversa, beneficiando da colocação de várias dezenas de caixas-ninho no local, na sequência de uma parceria com o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, da Universidade de Coimbra. Identicamente, a riqueza de vertebrados de menor dimensão, nomeadamente de répteis, bem como de macroinvertebrados, é enorme, em consonância com o bom estado de conservação da área que compreende esta Bio-Reserva.​ De igual modo, a diversidade da flora é notável, sendo de destacar as manchas de carvalho-cerquinho, que coexistem com antigos núcleos de pinheiro-manso, pinheiro-bravo e ciprestes. Outras espécies características deste tipo de habitat estão também presentes, nomeadamente os abundantes carrascos e medronheiros, a par com uma grande diversidade de plantas aromáticas. A profusão de líquenes, musgos, fungos e fetos revela-se em particular nas zonas mais húmidas.

A ausência de plantas invasoras no interior desta Bio-Reserva constitui, no contexto atual, um facto notável.Esta Bio-Reserva contempla ainda uma parte não despiciente de vinha tradicional, que a Milvoz tenciona reavivar após longos anos de abandono, o que constitui uma contribuição adicional para a biodiversidade, quando gerida adequadamente. Atuando como área de excelência para as espécies características de habitats de clareira, a manutenção das antigas áreas cultivadas contribui para a preservação da identidade da antiga paisagem agrícola, caracterizada por inúmeros muros e socalcos de pedra calcária, bem como pela existência de cortelhas (antigos abrigos em pedra).

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O nome desta Bio-Reserva deve-se ao facto de esta incluir como relevante património geológico, e também biológico, o designado ‘Algar da Morena’, uma gruta vertical com cerca de 35 metros de profundidade. Esta cavidade subterrânea resultou da erosão, durante milénios, do maciço calcário subjacente, pelas águas pluviais que aproveitaram uma falha natural (diaclase) para se escoarem, muito provavelmente até ao nível freático que se estende mais abaixo ao longo do talvegue. A palavra ‘Morena’ remete-nos para um imaginário que remonta à presença árabe na Península Ibérica: "As mouras encantadas, são um dos temas mais comuns das lendas e superstições populares da Europa Ocidental. São classificadas como divindades maléficas, génios femininos das águas, guardiãs de tesouros encantados escondidos no centro da Terra".*

*http://www1.ci.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/Lendas%20de%20Braganca.htm 

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Semelhante à Bio-Reserva Senhora da Alegria, também para a Morena foi criado um Grupo de Cuidadores para vigilância e manutenção do espaço.

Caso pretenda integrar o projeto e participar nas suas atividades, basta inscrever-se aqui.

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