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Vale da Aveleira severamente afetado pelo fogo

  • 29 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de set. de 2025


O incêndio que deflagrou no passado dia 14, no Candal, aldeia de xisto da Serra da Lousã, assumiu em poucas horas uma dimensão e violência avassaladoras. Ganhando corpo em áreas florestais de elevada perigosidade, num contexto de acacial, eucaliptal e pinhal denso, a frente de fogo cresceu rapidamente e deu origem a novos focos, tornando a situação incontrolável. Ao final da manhã do dia seguinte, a Bio-Reserva Integral do Vale da Aveleira encontrava-se já cercada pelas chamas, num cenário marcado por temperaturas muito elevadas e fenómenos extremos de vento.


Foi em condições de grande violência que o fogo entrou no bosque, afetando uma porção maioritária da sua área. O quadro após a passagem do incêndio é devastador. O pouco de verde que resistiu na encosta da Bio-Reserva está, ainda assim, nos vales e alcantilados desta área de conservação e linhas de água adjacentes, que arderam com muito menor intensidade e travaram localmente o avanço do fogo. No entanto, os danos no seu coberto vegetal são severos, naquela que é uma verdadeira calamidade ecológica que compromete de forma irreversível o futuro dos seus ecossistemas. Grande parte dos habitats maduros sucumbiu ao fogo ou ficou gravemente afetada: o medronhal climácico, os azinhais, os adernais, parte dos bosques de azereiro e inúmeros castanheiros centenários. As perdas ecológicas são imensuráveis nesta que era uma das poucas matas antigas que ainda resistiam até aos dias de hoje na região Centro de Portugal.


A intensa proliferação de acácias na Serra da Lousã, problema para o qual a Milvoz tem alertado repetidamente, alcançou dimensões colossais, fruto da apatia e inoperância do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), bem como das sucessivas más práticas dos operadores florestais. Agora, essa invasão comprometerá ainda mais a recuperação dos ecossistemas da serra. O vasto banco de sementes desta espécie invasora, acumulado ao longo de décadas, foi ativado pela passagem do fogo e germinará também nas áreas que ainda se mantinham preservadas, colocando em risco a sua regeneração ecológica.


Esta tragédia tem culpados, que irão ser chamados à sua responsabilidade. Numa área de reconhecida importância de conservação, integrada na Rede Natura 2000, o Estado Português acumula mais de 10 anos de incumprimento. Ao longo desse tempo deveriam ter sido implementadas medidas de gestão ativa para a preservação desta Zona Especial de Conservação e para evitar tragédias como as que acabam de acontecer. O desleixo perante o património natural do país reflete-se no estado de abandono a que foi votada a serra, que agora vê profundamente afetados alguns dos seus últimos redutos mais valiosos.


A Milvoz apresentará em breve uma reação mais detalhada e procederá a um levantamento no terreno, com o objetivo de identificar as áreas prioritárias para o desenvolvimento de um plano estratégico de restauro ecológico, dirigido às zonas de maior valor natural. Apelamos à união de cidadãos e entidades que partilham a vontade de agir por um futuro mais sustentável para a Serra da Lousã, para que juntos possamos impulsionar iniciativas sólidas de recuperação do património natural da região.

 
 
 

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