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Carvalhos centenários abatidos em faixa de gestão de combustíveis, em plena área Rede Natura 2000



Vários carvalhos-portugueses de grandes dimensões foram cortados em Reguengo do Fetal, numa faixa de gestão de combustíveis da E-REDES. Intervenções sem critério ou fundamento multiplicam-se de norte a sul do país, com o aval e inoperância do ICNF.



Ao longo dos últimos anos, o território português encontra-se a ser vítima de uma ampla implementação de faixas de gestão de combustíveis, prática esta que, nos moldes em que se encontra a ser aplicada, é de baixa efetividade, sendo, frequentemente até contraproducente, como tem vindo a ser demonstrado pela comunidade científica. Enquanto isso, o património arbóreo e biológico nacional é delapidado, contrariando fortemente vários aspetos da legislação ambiental. Ainda assim, está previsto o investimento de centenas de milhões de Euros nestas intervenções (rede primária, secundária e terciária) até 2025, nomeadamente no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.



Desde o início do corrente ano, a Milvoz tem já identificadas inúmeras situações de corte abusivo na região, tendo procedido a várias denúncias. Os critérios que se encontram a ser aplicados nestas intervenções verificam-se generalistas no terreno, independentemente de o local objeto de intervenção se localizar numa área remota ou na periferia de um povoado, numa área agrícola ou florestal, num carvalhal ou num eucaliptal. As espécies não são discriminadas, sendo mesmo cortados espécimes nativos raros e de conservação prioritária, e os poucos critérios que por vezes são aplicados não têm sequer em conta as características edafoclimáticas do local ou a sua orografia. Chegam, inclusivamente até, a ser completamente arrasadas as galerias ripícolas nas margens dos cursos de água, bem como bosques de elevada relevância cultural ou paisagística. Levadas a cabo ao longo da Primavera, estas intervenções acarretam também um significativo impacto na avifauna, com a destruição de ninhos em plena época de nidificação.



Ao invés de se tirar partido das folhosas caducifólias, pela sua característica de promover, sob as suas copas, a manutenção de humidade junto ao solo, cortam-se indiscriminadamente carvalhos, castanheiros, salgueiros, amieiros e muitas outras espécies de caducifólias nativas, quando as recomendações da comunidade científica passam, inclusivamente, pelo adensamento dos povoamentos de folhosas nas faixas de gestão de combustível, como medida para aumentar a sua eficácia no que diz respeito à criação de barreiras contra o avanço do fogo. Na ausência de justificação técnica ou científica para promover o afastamento da copa das árvores nestas faixas, é incompreensível a destruição do potencial das árvores de folha caduca que se encontra em curso.



Perante estas intervenções não fundamentadas e danosas, a Milvoz vem condenar fortemente não só a deficiente legislação em vigor, bem como a apatia e subserviência do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, que não atua eficazmente na revisão dos critérios para a gestão da vegetação. Adicionalmente, também as entidades gestoras das áreas a intervir, bem como as executoras destas intervenções, atuam frequentemente sem qualquer sensibilidade ou bom senso, contrariando os regulamentos e manuais de boas práticas existentes.



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